02
Mar
10

mais sienkiewicz – parte 3: big numbers

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A segunda, e última, parceria entre Alan Moore e Bill Sienkiewicz vinha cercada de expectativas antes mesmo de sua publicação. Além da reputação dos nomes envolvidos, Big Numbers era o primeiro lançamento de peso da Mad Love, a editora independente fundada por Moore juntamente com sua então esposa e a amante dos dois(!). E a história, dividida em 12 edições, era o trabalho mais ambicioso da carreira de Moore até então, envolvendo geometria fractal, teoria do caos e as ideias do matemático Benoît Mandelbrot (inicialmente a série deveria se chamar The Mandelbrot Set), e os efeitos disso tudo na vida de seres humanos comuns, habitantes da cidade natal de Moore, Northampton.

O que realmente ocorreu foi que apenas os dois primeiros números de Big Numbers foram publicados. Bill Sienkiewicz passava por uma série de problemas pessoais e não conseguia dar conta do trabalho junto ao detalhista Moore, com seus roteiros minuciosamente detalhados e as toneladas de referências fotográficas que o autor lhe enviava diretamente de Northampton, e terminou por abandonar o projeto após sucessivos atrasos, deixando os lápis do capítulo 3. A essa altura a série já vinha causando prejuízos financeiros cada vez maiores à Mad Love, e uma tentativa de resgate foi feita pela editora Tundra, de Kevin Eastman (criador das Tartarugas Ninjas), que assumiu os custos de produção e se encarregaria da distribuição. Quem assumiu a arte foi Al Columbia, o jovem assistente que Sienkiewicz havia contratado para ajudá-lo durante sua participação na série.

Há vários rumores e versões conflitantes sobre o que ocorreu em seguida (o ano já era 1992, a essa altura). Uma delas diz que Columbia concluiu a arte da edição 4, porém surtou e destruiu todo o trabalho, desaparecendo de vista por pelo menos 2 anos. Em outra versão, endossada pelo próprio artista, ele gastou todos os adiantamentos da Tundra em baladas, não conseguiu desenhar nem metade do capítulo e encenou o suposto colapso nervoso para encobrir o fato.

De qualquer modo, quase 20 anos após ter sido definitivamente cancelada, é praticamente impossível que Big Numbers seja retomada, pelo menos no formato original. Houve planos para uma adaptação para mini-série de TV, para a qual o próprio Moore estava escrevendo os roteiros, segundo um entrevista concedida em 2000. Alguns conceitos da série, como a narrativa centrada em Northampton e o peso de sua história sobre os habitantes do lugar, foram reaproveitados por Moore em seu primeiro romance, A Voz do Fogo.

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Fontes: Entrevista com Alan Moore

Depoimentos de Sienkiewicz e Al Columbia

Comic Book Urban Legends

Quem é Al Columbia?

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6 Responses to “mais sienkiewicz – parte 3: big numbers”


  1. 1 Ricardo
    March 3, 2010 at 2:36 am

    Para quem quiser ver o suposto terceiro número de Big Numbers: http://glycon.livejournal.com/11817.html

  2. March 3, 2010 at 8:58 pm

    Boa, Ricardo! Pena que eu só tenha em casa o número 1, acho que vai ser meio difícil entender a história sem ter lido o 2…

  3. 3 Ricardo
    March 5, 2010 at 12:13 am

    Eu tenho os dois números, e fiquei esperando, na época, que lançassem o restante…eu ainda acreditava que teria periodicidade correta…hahaha. Mesma coisa com o Cages, de McKean: fiquei anos comprando, algumas vezes um número saía 1 ano e meio depois do anterior. Ao final, não consegui comprar na época os números 9 e 10. Mas comprei depois o encadernado.
    No caso do Sienkiewicz, deve ter sido o último trabalho realmente importante que ele fez na vida – o álbum do Hendrix é bom, mas visualmente é ‘mais do mesmo’, seguindo a trilha dos trabalhos antigos. Big Numbers era algo diferente; ressaltou o traço dele, que sempre foi um dos melhores dos quadrinhos.

  4. 4 Rogério
    April 21, 2010 at 1:00 pm

    Oi,

    Belo site. Minha paixão por HQ se desenvolveu nos anos 80, então este blog traz muitas boas lembranças para mim. Com certeza vou visitá-lo muito. A propósito, tenho divesos recortes da Folha da Tarde desta época. Confesso que não sei como faria para escanear páginas daquele tamanho, mas se você se interessar posso tentar.
    Obrigado.

    • April 26, 2010 at 6:55 pm

      Valeu, Rogério!

      Eu tenho bastante coisa da Folha da Tarde também, da época em que o Franco de Rosa escrevia uma página toda Sexta-feira.
      Eu também não tenho um scanner capaz de digitalizar uma página de jornal inteira, por isso escaneio em 4 partes e junto depois no Photoshop. Se você quiser colaborar com algumas de suas matérias, pode me mandar as partes separadas mesmo, que eu junto tudo por aqui (assim que eu voltar a ter tempo para atualizar o blog…).

      Abraço!

      • 6 Rogério Prado
        May 2, 2010 at 1:03 am

        Obrigado por responder ao meu comentário.
        Como faço para enviar os scans? Procurei um e-mail para me comunicar com você no blog mas não achei.
        Assim que eu souber como enviá-los, vou perquisar aqui nos meus recortes e ver o que tenho de interessante para contribuir.
        Obrigado novamente.


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