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A segunda, e última, parceria entre Alan Moore e Bill Sienkiewicz vinha cercada de expectativas antes mesmo de sua publicação. Além da reputação dos nomes envolvidos, Big Numbers era o primeiro lançamento de peso da Mad Love, a editora independente fundada por Moore juntamente com sua então esposa e a amante dos dois(!). E a história, dividida em 12 edições, era o trabalho mais ambicioso da carreira de Moore até então, envolvendo geometria fractal, teoria do caos e as ideias do matemático Benoît Mandelbrot (inicialmente a série deveria se chamar The Mandelbrot Set), e os efeitos disso tudo na vida de seres humanos comuns, habitantes da cidade natal de Moore, Northampton.
O que realmente ocorreu foi que apenas os dois primeiros números de Big Numbers foram publicados. Bill Sienkiewicz passava por uma série de problemas pessoais e não conseguia dar conta do trabalho junto ao detalhista Moore, com seus roteiros minuciosamente detalhados e as toneladas de referências fotográficas que o autor lhe enviava diretamente de Northampton, e terminou por abandonar o projeto após sucessivos atrasos, deixando os lápis do capítulo 3. A essa altura a série já vinha causando prejuízos financeiros cada vez maiores à Mad Love, e uma tentativa de resgate foi feita pela editora Tundra, de Kevin Eastman (criador das Tartarugas Ninjas), que assumiu os custos de produção e se encarregaria da distribuição. Quem assumiu a arte foi Al Columbia, o jovem assistente que Sienkiewicz havia contratado para ajudá-lo durante sua participação na série.
Há vários rumores e versões conflitantes sobre o que ocorreu em seguida (o ano já era 1992, a essa altura). Uma delas diz que Columbia concluiu a arte da edição 4, porém surtou e destruiu todo o trabalho, desaparecendo de vista por pelo menos 2 anos. Em outra versão, endossada pelo próprio artista, ele gastou todos os adiantamentos da Tundra em baladas, não conseguiu desenhar nem metade do capítulo e encenou o suposto colapso nervoso para encobrir o fato.
De qualquer modo, quase 20 anos após ter sido definitivamente cancelada, é praticamente impossível que Big Numbers seja retomada, pelo menos no formato original. Houve planos para uma adaptação para mini-série de TV, para a qual o próprio Moore estava escrevendo os roteiros, segundo um entrevista concedida em 2000. Alguns conceitos da série, como a narrativa centrada em Northampton e o peso de sua história sobre os habitantes do lugar, foram reaproveitados por Moore em seu primeiro romance, A Voz do Fogo.
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Fontes: Entrevista com Alan Moore











