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Imagino que eu não fui o único leitor de quadrinhos que, no início de 1989, tendo recentemente descoberto o trabalho de Alan Moore e ainda considerando-o o futuro da HQ, se surpreendeu com o título dessa matéria de André Forastieri. Afinal, para quem não tinha acesso a revistas importadas a percepção do panorama mundial dos quadrinhos ainda era moldada pelos conselhos editoriais da Abril, Globo e, em escala mais restrita, da revista Animal, e a maioria dos nomes e personagens citados aqui eram completos desconhecidos. Aliás, esse é um dos motivos pelo qual a cobertura jornalística do boom dos quadrinhos ocorrido na época foi tão importante: era através de matérias como essa que muitos de nós ouviam falar pela primeira vez de autores que só viriam a ser publicados no Brasil anos mais tarde. Caso de alguns dos ingleses que aqui aparecem desdenhando do Bruxo Barbudo, como Jamie Hewlett, hoje mais conhecido como co-criador da banda-cartoon Gorillaz, e cuja personagem Tank Girl apareceria pela primeira vez nas páginas da Animal já nos anos 90; e Grant Morrison, que passaria a se tornar conhecido entre o público brasileiro de HQ após a publicação da graphic novel Asilo Arkham, no final de 1989, e de sua série de histórias do Homem-Animal, no ano seguinte.


