Este blog reproduz parte da cobertura feita pelos jornais paulistas do mercado de histórias em quadrinhos no Brasil, durante o período compreendido mais ou menos entre a publicação de Batman – O Cavaleiro das Trevas, em 1987, e a derrocada do governo Collor, em 1992.

Por que o interesse nessa época em particular? Foi durante esses anos que as duas editoras que haviam se tornado hegemônicas no campo dos quadrinhos de banca, Abril e Globo, despertaram para o potencial das HQs voltadas para um grupo mais maduro e exigente, em edições com qualidade superior à das revistas em formatinho e papel jornal que dominavam as prateleiras até então. Esse terreno já vinha sendo explorado por editoras como L&PM e Martins Fontes, porém suas publicações, em formato conhecido como “álbum”, tinham sua distribuição limitada às livrarias.

Durante esse período tornaram-se correntes entre o público médio de quadrinhos termos como “graphic novel”, “mini-série de luxo” e “formato americano”, e nomes como Alan Moore, Frank Miller, Neil Gaiman e Bill Sienkiewicz tornaram-se tão populares quanto os de rockstars. Isso se deve em parte à atenção que esse aquecimento do mercado recebeu, ao menos em São Paulo, dos grandes jornais, que chegaram  a dedicar sessões semanais de página inteira em seus cadernos culturais aos lançamentos nacionais e estrangeiros.

Se no início do fenômeno os novos títulos se limitavam a reapresentar os mesmos heróis Marvel/DC em versões mais angustiadas e/ou violentas (além de mais caras), com o tempo, e com a entrada em campo de outras editoras, foi sendo aberto espaço para publicações de selos independentes americanos, para autores europeus, asiáticos e brasileiros, assim como para formas e conteúdos narrativos mais ousados e experimentais.

Infelizmente, as sucessivas crises econômicas do final dos anos 1980 e início dos 90 arrefeceram muito desse ímpeto, levando várias das pequenas editoras à falência e fazendo as grandes voltarem à segurança dos mesmos heróis Marvel/DC. No entanto, o terreno já havia sido preparado para que se consolidasse uma nova visão dos quadrinhos no Brasil.


1 Response to “Por quê?”


  1. 1 Peter Mihajlovic
    January 17, 2010 at 12:21 pm

    Cara, tenho duas pastas de recortes desta época.A maioria com a data.Se precisar, posso scanear e te mandar.


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